Pentágono classifica Anthropic como risco na cadeia de suprimentos

logo da anthropic (dona da claude) ao lado de uma bandeira dos EUA. (pentagono)

Pentágono notifica Anthropic sobre risco na cadeia de suprimentos

A Anthropic recebeu em 4 de março de 2026 uma carta do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) informando que a empresa foi classificada como um possível risco na cadeia de suprimentos em contratos ligados à defesa. A informação foi confirmada publicamente pelo CEO Dario Amodei em uma declaração oficial divulgada um dia depois.

Segundo Amodei, a empresa discorda da interpretação jurídica usada pelo governo e pretende contestar a medida na Justiça. Ainda assim, ele afirma que a decisão tem um escopo limitado e não impede que clientes continuem usando o Claude, modelo de inteligência artificial da empresa, fora de contratos diretamente vinculados ao Departamento de Defesa.

Medida afeta apenas contratos militares específicos

De acordo com Amodei, a carta do governo cita a legislação 10 USC 3252, que permite ao Departamento de Defesa identificar fornecedores considerados riscos na cadeia de suprimentos. Essa lei, porém, foi criada para proteger sistemas governamentais e não para punir empresas, o que significa que as restrições precisam ser as menos invasivas possíveis.

Na prática, a designação teria impacto apenas quando o Claude estiver integrado diretamente a projetos vinculados a contratos do Pentágono. Outros usos da tecnologia por empresas privadas ou por organizações que também trabalham com o governo não seriam afetados.

O CEO afirmou que a própria linguagem da carta enviada pelo governo confirma esse limite. Por isso, segundo ele, a maioria dos clientes da Anthropic não deve sofrer qualquer impacto imediato.

Empresa mantém colaboração com militares dos EUA

Apesar do impasse, Amodei disse que as conversas entre a Anthropic e o Departamento de Defesa continuam. Nos últimos dias, representantes das duas partes discutiram alternativas para manter o suporte técnico e garantir uma eventual transição caso as restrições sejam mantidas.

A empresa afirma ter trabalhado com o governo dos EUA em diferentes aplicações de inteligência artificial voltadas à segurança nacional, incluindo:

  • análise de inteligência
  • modelagem e simulação militar
  • planejamento operacional
  • operações cibernéticas

Segundo Amodei, esses projetos ajudam diretamente forças militares e especialistas em segurança nacional em operações reais.

Debate envolve limites do uso militar de IA

Na declaração, o CEO reforçou que a Anthropic não pretende participar de decisões operacionais militares. A empresa mantém duas restrições principais para o uso de seus modelos: sistemas de armas totalmente autônomas e vigilância doméstica em massa.

Essas limitações fazem parte da política pública da companhia sobre uso responsável de inteligência artificial. Amodei afirma que elas dizem respeito ao nível estratégico de aplicação da tecnologia, não à operação direta de forças armadas.

Contexto inclui tensões recentes no setor de IA militar

A declaração também menciona um episódio ocorrido dias antes, quando uma publicação interna da empresa vazou para a imprensa após anúncios envolvendo contratos de IA militar nos Estados Unidos. Entre eles estava um acordo divulgado entre o Pentágono e a OpenAI, que depois foi descrito pela própria empresa como confuso em sua comunicação inicial.

Enquanto a disputa jurídica não é resolvida, Amodei afirmou que a Anthropic continuará disponibilizando seus modelos para o Departamento de Defesa e para a comunidade de segurança nacional por um custo simbólico, além de manter suporte técnico durante o período de transição.

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